Héstia, a deusa dos laços familiares

Héstia é considerada a deusa dos laços familiares e é a personificação da lareira: representada, por exemplo, por lareiras em altares e nos centros das cidades. É uma deusa casta: conseguiu autorização para permanecer virgem por toda a eternidade, ignorando os cortejos de Poseidon, por exemplo.

Por isso é representada de forma ereta, com sua túnica cobrindo-lhe o corpo todo, até os pés. Mas existem raras imagens relativas a Héstia: sua imagem severa de uma deusa virgem e protetora da família, algo tão sagrado em diversas religiões, não deram muita margem para que se fizessem esculturas e imagens representando a deusa na Grécia Antiga ou mesmo posteriormente. Além disso, sua representação máxima era a fogueira: o fogo que ardia incessantemente nos lares dos antigos gregos.

Como mantinha-se isolada em seu castelo devido sua jura em se manter virgem perante Zeus, não aparece muito nas narrativas da mitologia grega. Entretanto, por seu papel como deusa dos laços familiares, ela era a protetora dos lares estáveis e adorada por deuses e mortais em todas as casas. Héstia remete, assim, à ideia da família. Héstia é imóvel no Olimpo, contemplativa em sua própria paz, e, assim, é o centro espiritual e religioso do Olimpo.

As casas na Grécia Antiga deveriam ter altares para adorar Héstia, com cinza e carvão ardente, que simbolizavam a deusa e que ela protegia aquele lar. Não se devia aproximar do fogo do carvão objetos nem deixar que o fogo iluminasse toda a casa e as impurezas que nela se encontravam. A chama deveria se manter acesa todo o tempo enquanto a família existisse. Havia em Delfos uma chama que nunca se apagava e que representava a deusa. A partir dessa chama, muitas pessoas acenderam fogueiras de Héstia em altares por toda a Grécia Antiga.

Acredita-se que Héstia aparece na mitologia grega a partir de cultos pré-helênicos ou, ainda, orientais: talvez por parte do hinduísmo. Ela representa algo importante e estável ao longo de todos os séculos de civilização: a instituição familiar. Pelos romanos ela era conhecida como Vesta e a fogueira remetia à permanência do Império Romano.

Ainda existem, até hoje, simbologias ligadas à fogueira sagrada: no Brasil, por exemplo, no centro da Praça dos Três Poderes em Brasília, há uma tocha cujo fogo nunca se apaga, representando a liberdade pregada permanentemente por um governo democrático que remete à fogueira de Vesta na Roma Antiga.

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